quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Novo excerto (2)

Aqui fica mais um excerto de um dos diálogos mais interessantes do livro, constante do Capítulo 21 de O Templo dos Três Criadores:

"(...) Escuta, Denzil... no que aos deuses diz respeito, cada um adopta a versão que entender, geralmente a mais favorável para si e para o seu povo. À pergunta que me fizeste sobre Xerba, respondi-te que não havia razão nenhuma para temê-lo, pois temor só devemos ter daqueles que estão à nossa volta e habitam no nosso mundo. É tempo de deixarmos os deuses no etéreo onde pertencem, e de pararmos de os responsabilizar por todos os erros e males que sucedem entre os homens.
- Mas são eles que determinam o nosso Destino! – atalhou Denzil.
- Será? Ou será que essa ideia não é mais uma que os homens criaram em sua defesa, encontrando uma desculpa fácil e eficiente para a sua falta de clarividência?
- Mas são os próprios livros sagrados que nos contam as suas histórias, e a História de Lusomel! Nós apenas seguimos a palavra dos nossos Criadores!
- As Crónicas foram escritas por homens e mulheres, Denzil: não por Deuses.
- Mas tudo o que elas dizem faz sentido! A origem de Lusomel, a Lua Negra, os kriorns, a criação de cada povo... não é por acaso que nós não somos todos iguais, é diferente a cor do sangue que corre em cada um nós, e são diferentes as características de cada povo, em função de cada um dos deuses!
- Isso tudo é verdade, Denzil, mas agora pensa: e se foram os homens a criar os deuses à sua imagem e semelhança, e não o contrário? E se as diferenças entre os homens fizeram as diferenças entre os deuses? Sendo assim, os dionathors, enquanto povo nocturno e habitante de florestas, identificou-se com deuses que tivessem o mesmo modo de vida; da mesma forma, os mézanics, em função da sua sociedade marcadamente matriarcal, escolheram uma deusa de azul para sua padroeira, e não um deus... e por aí fora. Repara, nem os livros sagrados podem gabar-se de ser fidedignos e trazer a verdade absoluta, pois até neles podemos encontrar alguns erros: segundo a mitologia, os aringhors foram o último povo a ser criado, pois Larco foi o último dos filhos-deuses a nascer, e é referido como o irmão mais novo. Porém, a sua dinastia imperial que reinou até à revolução conseguia refazer a sua linhagem até aos primórdios da Primeira Era, numa altura em que supostamente só os três povos originais habitariam Lusomel, o vermelho, o azul, e o amarelo. Aliás, consta que eles já habitavam algumas ilhas muito antes de faremanics e mézanics os descobrirem... portanto, como vês, Denzil, a mitologia tem tanto de fascinante como de complexo, mas não é absoluta! E por isso existem tantas versões diferentes...
- O que é que quer dizer com isso? Que os deuses não existem?
- Talvez sim, talvez não. Provavelmente zelam por nós a partir do céu celestial lá de cima, mas em tantos anos a caminhar sobre a terra, nunca vi nenhum imiscuir-se nos nossos assuntos. Por isso o que digo é apenas isto: tratemos nós dos nossos problemas e deixemo-los em paz a tratar dos seus!(...)" 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ao Domingo Com...

A começar este mês de Outubro, tenho o prazer de partilhar a minha participação no blog O Tempo entre os meus livros, mais especificamente na sua conhecida rubrica Ao Domingo Com..., um espaço onde os autores são convidados a publicar um texto dentro do tema da escrita/ leitura, geralmente relacionado com a sua própria experiência. Pela minha parte,  como poderão verificar, optei por partilhar algumas reflexões sobre a leitura ao invés de centrar o texto na minha pessoa, e agradeço desde já ao blog e à respectiva administradora pela oportunidade que me deram de figurar ao lado de tantos outros autores portugueses. 

Do outro lado do Atlântico, foi finalmente lançada oficialmente a Antologia de onde consta o meu primeiro conto publicado (Memórias de Alto-Mar), de que já tive oportunidade de falar anteriormente. O evento Fantasticon decorreu nos fins-de-semana de 15/16 e 22/23 de Setembro, e para quem quiser saber um pouco mais, deixo aqui a entrada que o organizador da Antologia Erótica Fantástica, Gerson Lodi-Ribeiro, publicou no seu blog Crônicas da FC Brasileira a propósito do mesmo, que vale a pena ler aqui e aqui