terça-feira, 28 de agosto de 2012

Crítica no Bloco de Devaneios

Não podia deixar de chamar a atenção neste espaço para uma crítica bastante completa e interessante recentemente publicada no Bloco de Devaneios, onde há uns meses também já tive o privilégio de dar uma entrevista

Nesta crítica, a leitora começa por abordar a temática da mitologia presente no livro ("Esta é uma história cujo elemento que a guia e que nos prende é sem dúvida a mitologia. Todo este livro se centra nela"). Sublinho este aspecto na medida em que vai de encontro ao destaque que tenho dado aqui no blogue nos últimos tempos à mitologia deste universo, indispensável para a compreensão do livro, como aliás trespassa desta crítica. Tenho a considerar como sugestão para o futuro a inclusão de uma lista com as principais divindades mitológicas, em jeito do que tem sido apresentado aqui no blogue. 

Assim, apesar de referir que no início do livro é necessário lidar com muita informação fornecida para efeitos de contextualização - outro aspecto que tem sido bastantes vezes frisados por aqueles que já leram o livro - há igualmente o reconhecimento de que essa informação acaba por ser determinante no posterior desenvolvimento da acção da história. 

No final, a leitora não deixa de referir que "no geral foi um livro que me surpreendeu imenso pela positiva e recomendo para pessoas que gostem de aventura, fantasia. Um livro cujo ingrediente principal é uma nova mitologia fantástica e muito imaginativa!"

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Erótica Fantástica

Está para breve o lançamento de um novo projecto literário em que participo e de que já tive oportunidade de falar aqui em rodapé, e que se prende com a Antologia Erótica Fantástica, uma colectânea de contos eróticos de ficção científica, horror e fantasia, da iniciativa da Editora Draco, na sequência de um concurso literário aberto a submissões de autores lusófonos realizado no ano passado. A capa do livro já está disponível, como podem ver aqui em baixo.


Este projecto revelou-se, para mim, um desafio muito interessante, e principalmente diferente de tudo o que tinha escrito até então. Foi, por isso, uma agradável surpresa quando recebi a notícia de que o conto que submetera a apreciação, intitulado Memórias de Alto-Mar, tinha sido seleccionado para integrar a primeira edição desta Antologia, com lançamento previsto para o próximo mês de Setembro. Deste modo, aproveitarei este espaço aqui do blog como veículo de informação e actualização de todas as notícias relacionadas com esta fantástica colectânea há muito aguardada no Brasil entre os aficcionados do género. 

Podem saber um pouco mais do projecto em geral aqui. Recentemente, foram também divulgadas no blog da Draco as biografias e sinopses de cada um dos contos vencedores, que convido desde já a visitarem.

Em relação ao universo Lusomel, após esta pequena incursão pelos seus deuses e criadores, farei em breve um post relacionado com a história e cronologia do Arquipélago de Lusomel, nomeadamente sobre as diversas Eras que esse mundo já atravessou. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Larco

O último e o mais novo dos filhos-deuses é Larco, o deus do sangue laranja. Nasceu da união do sangue vermelho de Zirmeu e do sangue amarelo de Xerba. Larco é o deus da terra, dos ventos e da saúde, e o seu povo é o aringhor. 



No Templo dos Três Criadores, pouco é revelado acerca da caracterização física de Larco. A sua mais famosa representação parte de uma estátua já danificada, em que lhe falta a cabeça, outrora decapitada. Sabe-se, contudo, que o mais novo dos irmãos é o que tem a aparência mais envelhecida, anda ligeiramente curvado, e costuma ser representado trazendo um sino numa das mãos. Como descendente do sangue amarelo, ao seu sangue também são reconhecidas algumas propriedades mágicas. Nos livros futuros serão revelados mais pormenores acerca da vida deste filho-deus. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Croncio

Croncio nasceu da união entre Falíria e Zirmeu. De facto, a aliança entre Falíria e Xerba durou apenas até ao nascimento de Aryn e Orrin. Segundo rezam os livros sagrados, Zirmeu imediatamente se apaixonou por Falíria a partir do momento em que avistou a deusa do sangue azul deitada nua sobre uma rocha a apanhar sol, na ilha de Tiréu. Falíria decide então abandonar Xerba e os seus filhos para se unir ao deus do sangue vermelho.



As versões divergem sobre se Falíria teria já elaborado o seu plano, lançando um feitiço sobre Zirmeu, pretendendo subjugá-lo pela carne, ou se o tempo que viveram juntos foi realmente o símbolo de uma relação amorosa pura, estável e duradoura, mas a verdade dos factos é que viveram como marido e mulher durante muitos e longos anos. Assim, adoptaram o roxo como cor comum, Zirmeu alterou inclusivamente o seu nome para Tarfo, e juntos constituíram família. Da sua união nasceu o filho-deus Croncio, criador do povo domenic.


Croncio, ao contrário dos seus irmãos de sangue verde, nunca cresceu, tendo conservado a sua aparência de criança para sempre. Por essa razão, é também conhecido como o deus criança. É descrito como um menino de cabelo curto, púrpura e espigado, de olhos muito grandes e redondos, e um sorriso espontâneo e inocente. Ousado e valente, viveu sempre com os pais e com eles aprendeu, e conta-se que, apesar do seu tamanho, derrotou uma serpente marinha quando viajava a nado até à ilha de Flur. Ele é o deus da infância, da água e da paz. 



Pai, mãe e filho são frequentemente representados em conjunto - como demonstra a imagem abaixo - principalmente no seio dos domenics, que reconhecem os 3 como os deuses do seu povo. Porém, chegaria a altura em que Tarfo romperia a aliança com Falíria, voltando a adoptar o nome de Zirmeu e a cor vermelha do seu sangue, para se ir unir mais tarde a Xerba. 


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Aryn e Orrin

Para além dos 3 Criadores, existem mais 4 divindades em Lusomel conhecidas como filhos-deuses. Não fazem parte da trilogia original, mas foram gerados a partir do relacionamento entre os criadores. Não tendo participado na criação de Lusomel, não têm assim o domínio do destino, mas são igualmente reconhecidos como divindades, vindo as histórias das suas vidas descritas nas Crónicas de Lusomel - os livros sagrados. Mais tarde, também constituíram cada um o seu próprio povo.

Os primeiros filhos-deuses perfilham-se como os gémeos Aryn e Orrin, fruto do relacionamento entre Falíria e Xerba, que se uniram para travar a hegemonia cada vez maior de Zirmeu. Assim, da união do sangue azul com o sangue amarelo surgiram os deuses de sangue verde: Aryn, do sexo feminino, e Orrin, do sexo masculino. 















Ao nascerem, porém, estes filhos-deuses foram abandonados por Falíria nas florestas de Lusomel, após a deusa de sangue azul ter deixado Xerba para ir viver com Zirmeu. Assim, cedo tiveram que enfrentar perigos vários, e aprender a lutar pela sobrevivência sozinhos. Os dois órfãos tornaram-se noctívagos, só saindo do seu esconderijo durante a noite, quando era seguro. Foram crescendo e sobrevivendo graças à sua união e trabalho de equipa, e fizeram das florestas o seu habitat natural.




Aryn é representada como uma rapariga esguia de rosto comprido e com duas longas tranças verdes compridas. Orrin tem apenas uma trança verde, e um rosto mais redondo. Aryn empunha uma espada e Oryn traz consigo o arco, as armas de eleição que os ajudaram a sobreviver. Eles são os deuses das florestas, da noite e da liberdade. São igualmente os criadores do povo dionathor, de sangue verde. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Xerba

O deus Xerba é o terceiro e último entre os criadores. Deus do sangue amarelo, ele foi o criador do povo qhaliothor. 


Diz-se que ao seu sangue estão associadas certas propriedades mágicas, sendo, dessa forma, considerado um sangue amaldiçoado por natureza. Consta que Xerba foi o deus que criou os homens e as demais criaturas, porém, sempre que as julgou  indignas de habitar Lusomel, lançou sobre elas a sua famosa maldição, contribuindo para a sua temerosa reputação. Não é, pois, por acaso, que este deus seja mais temido do que amado, mesmo entre os povos que partilham do seu sangue. 

Xerba é o deus da morte, do fogo e das artes. Alto, magro, de cabelo negro e comprido até aos pés, o mais sinistro dos deuses  não é homem nem mulher. As suas vestes são igualmente compridas, amarelas como a cor do seu sangue, e calça sandálias. Tem orelhas em bico, e o seu olhar é vazio e inexpressivo, o que também não motiva particular simpatia. Geralmente é representado com um pequeno pássaro sobre o seu ombro esquerdo, o seu principal conselheiro. Quando representado em conjunto com os restantes deuses criadores, Xerba ocupa a posição do lado direito. 

Trata-se de um deus sobre o qual pouco se sabe. As crónicas da sua vida são praticamente omissas nos livros sagrados, que apenas relatam os aspectos mais sombrios da sua existência. O seu verdadeiro papel na criação de Lusomel é ainda para muitos um mistério, mas pode trazer consigo a chave que abrirá a porta para os derradeiros segredos por detrás da da história.  

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Falíria



A segunda deusa da tríade dos criadores, representada ao centro, é a deusa Falíria, a padroeira e criadora do povo mézanic. Ela é a deusa do amor, da beleza e da sabedoria. 



Também conhecida como a deusa do sangue azul, Falíria é representada na figura de uma mulher incrivelmente bonita e sedutora, de cabelo longo, também ele azul, a escorrer-lhe pelos ombros e costas. O seu vestuário habitual, um vestido comprido e sensual de um azul suave, realça toda a sua feminilidade. 




Quando representada apenas com Zirmeu, o seu cabelo adopta frequentemente uma tonalidade roxa, símbolo da sua união. Afinal, Falíria e Zirmeu, sob a designação de Tarfo, viveram como marido e mulher durante um período da sua vida, tal como vem relatado no terceiro capítulo do primeiro volume dos livros sagrados de Lusomel – Crónicas de Zirmeu e Falíria. Nesta imagem do lado direito podemos encontrar uma possível representação conjunta de ambos os deuses, que chegaram inclusivamente a gerar um filho, Croncio, como será falado num outro post. 





domingo, 5 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Zirmeu

Em Lusomel são 7 as divindades reconhecidas e veneradas pelos diversos povos humanos que habitam o Arquipélago. A cada divindade está associada uma cor do sangue, o mesmo sangue que corre nas veias do povo por si criado. A história das suas vidas vem relatada nos livros sagrados conhecidos por Crónicas de Lusomel.

Entre as 7 divindades, 3 são os deuses criadores, e 4 são os filhos-deuses. Os 3 criadores são os fundadores do mundo tal como ele existe, e cabe-lhes o papel de comandar o seu destino e o de todas as criaturas que nele vivem.

Zirmeu é o primeiro dos três criadores, o deus do sangue vermelho e criador do povo faremanic. Quando representado com os outros 2 criadores, ocupa sempre a posição do lado esquerdo. 


É o deus da força, da guerra, da justiça. É descrito como sendo um homem com uma espessa barba vermelha e um cabelo comprido da mesma cor, de tronco nu, largo e musculado, empunhando um martelo em certas ocasiões.


Este deus também é conhecido pelo nome de Tarfo, nomeadamente entre o povo domenic, sendo nesse caso representado com cabelo, barba e roupas de cor violeta. As razões da divergência existente quanto ao nome e aparência serão aprofundadas em posts mais adiante, nomeadamente a propósito do deus Croncio. As imagens são meramente exemplificativas. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Novo excerto


O excerto que aqui  apresento desta vez é retirado da parte final do Capítulo 21 de O Templo dos Três Criadores, página 387/388 do livro:

"(...) Muitos dos que hoje suspiram para que seja criada uma nova República, saudosistas da que se estabeleceu na Quarta Era, desconhecem que esse período no total não chegou aos cem anos de existência, e a paz era uma miragem! Foi um fracasso total!
- Ainda que tenha sido, não nega a evidência das coisas terem começado a dar para o torto a partir do momento em que os qhaliothors passaram a fazer parte dela! Eles eram uns autênticos bárbaros! Mas olhemos para a actualidade por um instante: não é só nesta ilha de Cratóvia que antigas raças kriorn têm voltado a ser avistadas com frequência! Já se sussurra por diversos locais do Arquipélago que vivemos um clima igual àquele que se respirava antes das Invasões terem marcado o início da Terceira Era, com antigas profecias há muito derrotadas pelos homens a serem novamente invocadas! Por isso, insisto em como era a altura ideal para uma nova República voltar a ser forjada, em nome da harmonia entre os povos humanos, especialmente agora que os qhaliothors estão desaparecidos e sem sinal de regressar a Lusomel!
- Os qhaliothors estão desaparecidos porque são uns cobardes! – exclamou Qairo em voz alta – Porque acharam que, caída a República, com as perseguições e mortes que se seguiram, às quais nem o seu líder escapou, não haveria hipótese nenhuma de voltarem a conviver harmoniosamente com mais nenhum povo humano nem nehuma raça! Por isso esconderam-se, sabem os deuses onde! Mas esse não é o caminho para a paz em Lusomel! Nem esse, nem o regresso ao passado, com a edificação de uma nova República, como vós apregoais!
- Então, qual deve ser o caminho a seguir? – desafiou-o, por fim, Cáspio.
- Não sei, meu caro Cáspio, mas um dia ainda o irei mostrar ao mundo!"


Nos próximos dias irei aproveitar este espaço para expor e analisar um pouco mais ao pormenor os principais aspectos relacionados com a mitologia subjacente a Lusomel, em torno da qual gira toda a acção do livro.