domingo, 30 de dezembro de 2012

"Quando eu morrer, prefiro ir para a Terra Média"




“A melhor fantasia é escrita na linguagem dos sonhos. Ela vive como vivem os sonhos, mais real do que a realidade… por instantes, pelo menos… aqueles longos instantes mágicos antes de acordarmos.
A fantasia é prateada e escarlate, índigo e azul-marinho, obsidiana raiada de dourados e lápis-lazúli. A realidade é de madeira prensada e de plástico, feita com lama castanha ou do baço verde-azeitona. A fantasia sabe a pimentos picantes e a mel, a canela e a cravinho, a carne vermelha mal passada e a vinhos doces como o verão. A realidade é feijões e tofu, e, no final, cinzas. A realidade são as ruas comerciais de Burbank, as chaminés de Cleveland, um parque de estacionamento em Newark. Fantasia são as torres de Minas Tirith, as pedras antigas de Gormenghast, os salões de Camelot. A fantasia voa nas asas de Ícaro, a realidade nas Southwest Airlines. Porque se tornam os nossos sonhos tão mais pequenos quando, finalmente, se tornam em realidade?
Lemos fantasia para descobrir de novo as cores, creio eu. Para provar os sabores fortes e ouvir a canção que as sereias cantam. Há algo de antigo e de verdade na fantasia que fala a alguma coisa que vive profundamente dentro de nós, que fala à criança que sonhou que um dia caçaria as florestas da noite, e banquetear-se-ia sob os montes ocos e encontraria um amor que duraria para sempre algures a sul de Oz e a norte de Shangri-la.
Eles podem ficar com o céu para eles. Quando eu morrer, prefiro ir para a Terra Média”.
George R. R. Martin




É ao sabor desta reflexão de George Martin acerca da fantasia que aqui deixo o último post de 2012 do blogue. Após inúmeros anos a mastigar a fantasia como leitor, este ano tive finalmente a oportunidade de me estrear nela como autor, e de dar o meu humilde contributo para esse vasto e magnífico universo do fantástico: em Abril, com a publicação do meu primeiro romance Crónicas de Lusomel – Parte I – O Templo dos Três Criadores, e em Setembro com a publicação da Antologia Erótica Fantástica, com o meu conto Memórias de Alto-Mar a figurar entre os contos seleccionados. Assim, posso seguramente afirmar que me sinto realizado com o caminho até aqui, e que a experiência que estes primeiros passos me têm proporcionado até agora tem sido fantástica. Muitos e novos projectos preenchem agora o meu horizonte, e espero dar continuidade a todos eles na máxima força já em 2013.
Como tal, não podia deixar de expressar aqui os meus sinceros agradecimentos a todos os familiares, amigos, conhecidos, editores, compradores, leitores, críticos, e outros, que de uma maneira ou de outra me acompanharam e apoiaram ao longo deste ano. A todos esses e aos demais, expresso aqui o meu desejo de Boas Entradas e de um Feliz 2013, cheio de coisas fantásticas! 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Apresentação do Livro na JFL


Tal como tive oportunidade de revelar oportunamente na página do Facebook das Crónicas de Lusomel, na próxima 4ª feira, dia 19 de Dezembro, irei realizar uma breve apresentação do meu primeiro romance O Templo dos Três Criadores, no âmbito da iniciativa À Conversa com o Escritor da Junta de Freguesia do Lumiar (JFL) .

A apresentação irá decorrer no edifício do espaço cultural da Junta (1º piso da UTIL -  Universidade da Terceira Idade do Lumiar) pelas 18 horas. Conto com a vossa presença!

Até lá, convido-vos ler esta curta resenha à Antologia Erótica Fantástica no blogue Leitura Escrita, da leitora Ana Carolina, onde se insere o meu conto Memórias de Alto-Mar


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Novo excerto (2)

Aqui fica mais um excerto de um dos diálogos mais interessantes do livro, constante do Capítulo 21 de O Templo dos Três Criadores:

"(...) Escuta, Denzil... no que aos deuses diz respeito, cada um adopta a versão que entender, geralmente a mais favorável para si e para o seu povo. À pergunta que me fizeste sobre Xerba, respondi-te que não havia razão nenhuma para temê-lo, pois temor só devemos ter daqueles que estão à nossa volta e habitam no nosso mundo. É tempo de deixarmos os deuses no etéreo onde pertencem, e de pararmos de os responsabilizar por todos os erros e males que sucedem entre os homens.
- Mas são eles que determinam o nosso Destino! – atalhou Denzil.
- Será? Ou será que essa ideia não é mais uma que os homens criaram em sua defesa, encontrando uma desculpa fácil e eficiente para a sua falta de clarividência?
- Mas são os próprios livros sagrados que nos contam as suas histórias, e a História de Lusomel! Nós apenas seguimos a palavra dos nossos Criadores!
- As Crónicas foram escritas por homens e mulheres, Denzil: não por Deuses.
- Mas tudo o que elas dizem faz sentido! A origem de Lusomel, a Lua Negra, os kriorns, a criação de cada povo... não é por acaso que nós não somos todos iguais, é diferente a cor do sangue que corre em cada um nós, e são diferentes as características de cada povo, em função de cada um dos deuses!
- Isso tudo é verdade, Denzil, mas agora pensa: e se foram os homens a criar os deuses à sua imagem e semelhança, e não o contrário? E se as diferenças entre os homens fizeram as diferenças entre os deuses? Sendo assim, os dionathors, enquanto povo nocturno e habitante de florestas, identificou-se com deuses que tivessem o mesmo modo de vida; da mesma forma, os mézanics, em função da sua sociedade marcadamente matriarcal, escolheram uma deusa de azul para sua padroeira, e não um deus... e por aí fora. Repara, nem os livros sagrados podem gabar-se de ser fidedignos e trazer a verdade absoluta, pois até neles podemos encontrar alguns erros: segundo a mitologia, os aringhors foram o último povo a ser criado, pois Larco foi o último dos filhos-deuses a nascer, e é referido como o irmão mais novo. Porém, a sua dinastia imperial que reinou até à revolução conseguia refazer a sua linhagem até aos primórdios da Primeira Era, numa altura em que supostamente só os três povos originais habitariam Lusomel, o vermelho, o azul, e o amarelo. Aliás, consta que eles já habitavam algumas ilhas muito antes de faremanics e mézanics os descobrirem... portanto, como vês, Denzil, a mitologia tem tanto de fascinante como de complexo, mas não é absoluta! E por isso existem tantas versões diferentes...
- O que é que quer dizer com isso? Que os deuses não existem?
- Talvez sim, talvez não. Provavelmente zelam por nós a partir do céu celestial lá de cima, mas em tantos anos a caminhar sobre a terra, nunca vi nenhum imiscuir-se nos nossos assuntos. Por isso o que digo é apenas isto: tratemos nós dos nossos problemas e deixemo-los em paz a tratar dos seus!(...)" 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ao Domingo Com...

A começar este mês de Outubro, tenho o prazer de partilhar a minha participação no blog O Tempo entre os meus livros, mais especificamente na sua conhecida rubrica Ao Domingo Com..., um espaço onde os autores são convidados a publicar um texto dentro do tema da escrita/ leitura, geralmente relacionado com a sua própria experiência. Pela minha parte,  como poderão verificar, optei por partilhar algumas reflexões sobre a leitura ao invés de centrar o texto na minha pessoa, e agradeço desde já ao blog e à respectiva administradora pela oportunidade que me deram de figurar ao lado de tantos outros autores portugueses. 

Do outro lado do Atlântico, foi finalmente lançada oficialmente a Antologia de onde consta o meu primeiro conto publicado (Memórias de Alto-Mar), de que já tive oportunidade de falar anteriormente. O evento Fantasticon decorreu nos fins-de-semana de 15/16 e 22/23 de Setembro, e para quem quiser saber um pouco mais, deixo aqui a entrada que o organizador da Antologia Erótica Fantástica, Gerson Lodi-Ribeiro, publicou no seu blog Crônicas da FC Brasileira a propósito do mesmo, que vale a pena ler aqui e aqui

domingo, 23 de setembro de 2012

Lusomel: Cronologia - Eras (continuação)

Na sequência do último post, aqui fica a cronologia desde a Quarta Era até ao momento em que a acção de O Templo dos Três Criadores tem início:

Quarta Era - da República

- A mais curta das 7 Eras, durou apenas 99 anos, cerca de 3 gerações.
- Na sequência o Tratado de M'lur, é formada uma aliança entre os povos humanos, que vem a ser designada de República.
- Os seus objectivos passavam por formar um centro de decisão comum, uma Assembleia onde tivessem assento os líderes de todos os povos, com o objectivo de agir concertadamente e estar melhor preparados em caso de novas ameaças por parte dos kriorns. 
- A ilha de Urdinesa, uma das mais devastadas pelas invasões, é escolhida como a sede da República, reconstruida e dividida em 6 regiões, cada uma destinada a cada povo, para a partir daí tomarem decisões em conjunto e governarem o Arquipélago.
- Inicialmente, o povo qhaliothor, ainda de luto pela morte do seu Líder e ressentido com a falta de solidariedade dos demais povos, rejeita a sua participação na República. Adere alguns anos mais tarde, em parte pelo receio que de isolamento se voltassem a ser atacados, em parte pelo desejo de voltar a ter domínio, ainda que parcial, sobre a ilha que consideravam a sua Primeira Sede. Mais tarde, serão eles os primeiros abandonar a República. 
- Os domenics fazem da sua capital Boaliz, a antiga e mítica cidade dos qhaliothors, outrora designada Formosa
- Durante mais de 50 anos, os 6 povos conseguem entender-se e a República mantém-se unida. As ameaças por parte dos kriorns tornam-se insignificantes. Porém, o receio que os agregava vai desaparecendo, e passadas 2 gerações, voltam a surgir desentendimentos entre os dois maiores povos: faremanics e mézanics. Cresce o clima de desconfiança, e nos últimos  anos de vida por várias vezes a República ameaça desmoronar-se. 
- A inevitável guerra entre faremanics e mézanics acaba por rebentar. O povo qhaliothor abandona formalmente a República, e é acusado de provocar o seu fim. A sua capital é atacada e destruída como retaliação, e o seu líder assassinado pela 3ª vez, tal como acontecera na 1ª Era. Muitos foram perseguidos e chacinados. 

Quinta Era: - da Evasão

- Nas vésperas do seu centésimo aniversário, a República, já ingovernável, é dissolvida.
- Os qhaliothors abandonam definitivamente a ilha de Urdinesa, implementando um plano ao longo das décadas seguintes que já vinha sendo pensado como último recurso desde a 1ª Era: o abandono gradual de todas as suas ilhas e o refúgio num local onde permanecessem anónimos e incomunicáveis. 
- O rei faremanic e a imperatriz mézanic celebram uma paz formal, mas ela duraria pouco tempo. Na prática, vivia-se um período de paz armada, que antecederia a grande guerra.
- Urdinesa fica bipolarizada entre o norte, dominado pelos faremanics, e o sul, pelos mézanics. Os aringhors tornam-se nos principais aliados do povo vermelho, enquanto os dionathors tomam partido pelos mézanics. Restam os domenics, que no pedaço de terra oriental da ilha de Urdinesa, proclamam a sua neutralidade.
- Quando a paz é finalmente quebrada, tem início, em Urdinesa, a maior guerra entre povos humanos da história de Lusomel, que duraria mais de 100 anos. Com os dois maiores impérios envolvidos - faremanics e mézanics - a guerra facilmente se alastra para os quatro cantos do Arquipélago. O período é marcado por um conjunto de conflitos armados por todo o território.
- É desta Era que subsistem os últimos vestígios da passagem do povo qhaliothor pelo Arquipélago. Desaparecem da face de Lusomel e nos séculos seguintes até serão dados como um povo extinto. 

Sexta Era: - da Transformação

- A cisão do povo domenic marca o início da Sexta Era.
- Inicialmente neutros na guerra que despoleta, será cada vez mais difícil preservar essa neutralidade à medida que os conflitos se vão expandindo e as pressões começam a ser cada vez mais intensas por parte das duas potências hegemónicas. O rei domenic vai auxiliando uma e outra, mas sem sucesso. 
- Perante a inevitabilidade e infinitude da guerra, o rei domenic acaba por decidir declarar apoio aos mézanics. Na sequência, os faremanics cercam a ilha de Fimicosta e invadem os seus territórios em Urdinesa. A corte domenic foge então para a ilha de Flur onde estabelece governo. Em Boaliz, é proclamado um novo rei domenic, partidário dos faremanics.
O povo domenic cinde-se finalmente: dois reis, dois governos, uma facção mézanic, outra faremanic. O seu reino é dividido ao meio. Como parte integrante da grande guerra, as duas facções entram em guerra civil. 
- Mais tarde, na sequência de uma crise de sucessão interna e da ameaça de guerra civil entre os mézanics, e após a derrota na batalha de Urdinesa, a imperatriz assina a paz com o rei faremanic, reconhecendo oficialmente a derrota para os mézanics ao fim de mais de 100 anos de conflitos.
- A grande guerra termina, mas os seus efeitos prolongar-se-iam por muitos séculos. A ilha de Urdinesa é repartida em 3 reinos, aringhors e dionathors perdem os seus territórios anexados pelas duas potências, e fixam-se definitivamente no outro lado do GrandeMar
- Entre os domenics, porém, já nada seria igual: Ambos os governos, incapazes de se entenderem devido à guerra entre eles, mantém-se separados e incomunicáveis. Dois povos de sangue violeta, dois reis, duas capitais - uma em Urdinesa, uma em Flur.
- No seio do povo aringhor, também em consequência da guerra e das crises que se sucederam, tem lugar a designada Revolução Gloriosa, uma insurreição sangrenta que irá levar à deposição da milenar dinastia imperial Monastir, através do assassínio do imperador e de toda a sua família. Um novo líder é proclamado - o caiser - e a sua capital passa da ilha de Valerenga para Harganoth, na ilha de Luduval.
- Os partidários do antigo regime são exilados, e desde então combatem na clandestinidade para derrubar o caiser e o seu regime, com o propósito de restaurar a dinastia imperial. 
- Anos mais tarde, sobe ao reino de Urdinesa o rei Damião, mais tarde conhecido como o Unificador. Trezentos anos após a cisão, sonha com reunificação do povo violeta. 
- Ao lado de Bártolo, luta numa batalha em Urdinesa contra os mézanics, ainda por questões fronteiriças, lado a lado com os faremanics. De seguida porém, revolta-se contra os faremanics e reclama para si os territórios. O povo vermelho não aceita, mas é derrotado em combate. 
- Com diplomacia, convence o reino de Flur a juntar-se-lhe, e após mais um punhado de vitórias, é reconhecido por todos os domenics como o verdadeiro rei, o único monarca capaz de desafiar abertamente as duas maiores potências e sair vitorioso. Em negociações, liberta Flur da influência dos mézanics e reunifica todo o antigo reino domenic, episódio que dará início à 7ª Era - da Reunificação.

- 50 anos depois, Denzil e os seus dois companheiros embarcam numa aventura para o outro lado do GrandeMar, em busca de uma citação das Crónicas de Lusomel que pode desvendar um dos maiores segredos de todo o Arquipélago. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lusomel: Cronologia - Eras

Na sequência das entradas deste blogue durante o mês passado acerca da mitologia presente no universo de Lusomel, abro agora o espaço para aprofundar um pouco mais a História deste mundo até ao momento em que começa a acção de O Templo dos Três Criadores. 


Primeira Era - da Geração 

- Também conhecida por Era Milenar, por ter durado pouco mais de 1000 anos.
- Faremanics, Mézanics e Qhaliothors são os 3 primeiros povos humanos de que há registos, que, além dos kriorns, habitavam o Arquipélago apenas conhecido desde Urdinesa até ao Mar do Sul. 
- Entre os 3 povos, os qhaliothors, cujo território se estendia por toda a ilha de Urdinesa - ainda hoje conhecida como a maior das ilhas - eram a nação mais próspera, pois dizia-se que o seu sangue amarelo tinha herdado a magia do mundo antigo, anterior à Cisão, o acontecimento que terá marcado o início da civilização humana. 
- A primeira grande guerra opõe faremanics e mézanics numa aliança contra qhaliothors. Estes últimos são derrotados, o seu líder é assassinado pela 1ª vez, e a ilha de Urdinesa é dividida em 2 e anexada pelos povos do sangue azul e vermelho.
- Como forma de preservar a paz, é edificado o primeiro Templo na ilha sagrada do Oráculo, onde a representação dos deuses de cada povo (Zirmeu, Falíria e Xerba) é feita pela 1ª vez em conjunto. 
- Séculos depois, fruto da expansão marítima, começam a ser identificados 3 novos povos: os Domenics, sediados na ilha de Flur; os Aringhors, na ilha de Valerenga; e os Dionathors, um conjunto de povos nómadas dispersos por densas florestas. 
- Após alguma controvérsia, passam a ser 6 os povos do Arquipélago reconhecidos como humanos. O grau de civilização dos povos não originários estava muito acima dos kriorns. A própria rainha dos mézanics muda a sua designação oficial para Imperatriz, por influência da dinastia imperial Monastir que governava os aringhors. 
- As Crónicas de Lusomel são então reconhecidas oficialmente como os livros sagrados da civilização humana, e considerados património comum de todos os povos. 

- Segunda Era - da Expansão 

- Nova Era é marcada pela fundação oficial da Ordem dos Sacerdotes, a guardiã dos livros sagrados, constituída por representantes de todos os povos com o propósito de zelar pela paz e difundir a religião por todo o Arquipélago. A Ordem fica sediada na ilha do Oráculo. 
- Os Templos, símbolo da civilização humana,  começam a multiplicar-se por diversas ilhas. Em cada nova ilha descoberta ou conquistada por povos humanos era edificado um novo Templo como padrão.
- Época de grandes reis e heróis, o período é marcado por crescimento, prosperidade e expansão marítima e territorial. É levada a cabo uma cruzada contra as raças consideradas amaldiçoadas. O objectivo comum passa a ser a erradicação dos kriorns de todo o Arquipélago. 
- O povo domenic destaca-se como o grande impulsionador da expansão marítima, onde se destaca o nome ainda hoje recordado de Alvim, o Navegador, que se aventurou por mares muito além dos então conhecidos. O seu paradeiro, contudo, nunca foi certo após ter desaparecido na sua última expedição marítima. Acredita-se que tenha sido assassinado pelos mézanics ao cruzar o Mar do Sul.
- De facto, a hegemonia do Arquipélago era repartida entre faremanics e mézanics, detentores dos mais vastos impérios. A rivalidade entre os dois povos, ainda hoje presente,   forma raízes e acentua-se nessa época. 
- Para contrariar essa hegemonia, forma-se entre os qhaliothors e os povos considerados descendentes do sangue amarelo - aringhors e dionathors - uma aliança conhecida como o Pacto, que, sob juramento ao deus comum - Xerba - irá determinar o auxílio mútuo e a não agressão entre os 3 povos. 

Terceira Era - da Invasão

- Era foi marcada por um retrocesso na expansão da civilização humana durante os cerca de 250 anos que a definiram.
- Os diversos povos humanos sofrem sucessivos ataques e invasões provenientes das raças kriorn, que conjugam forças entre si em torno de uma antiga profecia, e partem do Mar Vermelho para recuperar o seu domínio sobre Lusomel e eliminar os homens. 
- Territórios são ocupados por todo o tipo de kriorns e os povos humanos não têm mãos a medir para travá-los. Sucedem-se vagas de guerras e invasões, inicialmente dum lado do Arquipélago, depois do outro, envolvendo todos os povos à escala mundial. Cidades caem, as próprias capitais dos faremanics e qhaliothors são aruinadas, Templos são destruídos.
- Com o tempo, os 6 povos humanos aliam-se numa acção conjunta para fazer frente às diferentes ameaças, num processo de reconquista que duraria mais de cem anos.
- Entre as perdas, O Líder dos qhaliothors acaba por se tornar refém de um grupo de kriorns, e é assassinado pela 2ª vez na História pouco antes da guerra terminar, enfraquecendo o poder dos qhaliothors na hora de dividir os despojos.
- A vitória é proclamada com a assinatura do Tratado de M’lur, que institui a República e marca o arranque da Quarta Era.

Num post seguinte, continuarei a evolução cronológica até à 7ª Era, onde se desenrola a acção do primeiro volume da saga Crónicas de Lusomel. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Fantasticon 2012


O Fantasticon 2012 - VI Simpósio de Literatura Fantástica, o evento onde terá lugar o lançamento oficial da Antologia Erótica Fantástica, irá arrancar já em São Paulo neste fim-de-semana de 15 e 16 de Setembro, e prolongar-se-á pelo fim-de-semana seguinte de 22 e 23. Trata-se de um evento rico em palestras, debates, exposições, sessões de autógrafos e actividades lúdicas, tudo relacionado com o universo da literatura fantástica brasileira e não só, e que contará com muitos outros lançamentos e novidades para além da Antologia Erótica Fantástica. O programa completo pode ser consultado aqui. Um evento que vale a pena acompanhar (à distância), e do qual espero partilhar mais novidades neste espaço. 

Para quem quiser saber um pouco mais acerca do projecto por detrás desta Antologia Erótica Fantástica, sugiro que dê uma espreitadela a este post que lhe dediquei.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Crítica no Bloco de Devaneios

Não podia deixar de chamar a atenção neste espaço para uma crítica bastante completa e interessante recentemente publicada no Bloco de Devaneios, onde há uns meses também já tive o privilégio de dar uma entrevista

Nesta crítica, a leitora começa por abordar a temática da mitologia presente no livro ("Esta é uma história cujo elemento que a guia e que nos prende é sem dúvida a mitologia. Todo este livro se centra nela"). Sublinho este aspecto na medida em que vai de encontro ao destaque que tenho dado aqui no blogue nos últimos tempos à mitologia deste universo, indispensável para a compreensão do livro, como aliás trespassa desta crítica. Tenho a considerar como sugestão para o futuro a inclusão de uma lista com as principais divindades mitológicas, em jeito do que tem sido apresentado aqui no blogue. 

Assim, apesar de referir que no início do livro é necessário lidar com muita informação fornecida para efeitos de contextualização - outro aspecto que tem sido bastantes vezes frisados por aqueles que já leram o livro - há igualmente o reconhecimento de que essa informação acaba por ser determinante no posterior desenvolvimento da acção da história. 

No final, a leitora não deixa de referir que "no geral foi um livro que me surpreendeu imenso pela positiva e recomendo para pessoas que gostem de aventura, fantasia. Um livro cujo ingrediente principal é uma nova mitologia fantástica e muito imaginativa!"

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Erótica Fantástica

Está para breve o lançamento de um novo projecto literário em que participo e de que já tive oportunidade de falar aqui em rodapé, e que se prende com a Antologia Erótica Fantástica, uma colectânea de contos eróticos de ficção científica, horror e fantasia, da iniciativa da Editora Draco, na sequência de um concurso literário aberto a submissões de autores lusófonos realizado no ano passado. A capa do livro já está disponível, como podem ver aqui em baixo.


Este projecto revelou-se, para mim, um desafio muito interessante, e principalmente diferente de tudo o que tinha escrito até então. Foi, por isso, uma agradável surpresa quando recebi a notícia de que o conto que submetera a apreciação, intitulado Memórias de Alto-Mar, tinha sido seleccionado para integrar a primeira edição desta Antologia, com lançamento previsto para o próximo mês de Setembro. Deste modo, aproveitarei este espaço aqui do blog como veículo de informação e actualização de todas as notícias relacionadas com esta fantástica colectânea há muito aguardada no Brasil entre os aficcionados do género. 

Podem saber um pouco mais do projecto em geral aqui. Recentemente, foram também divulgadas no blog da Draco as biografias e sinopses de cada um dos contos vencedores, que convido desde já a visitarem.

Em relação ao universo Lusomel, após esta pequena incursão pelos seus deuses e criadores, farei em breve um post relacionado com a história e cronologia do Arquipélago de Lusomel, nomeadamente sobre as diversas Eras que esse mundo já atravessou. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Larco

O último e o mais novo dos filhos-deuses é Larco, o deus do sangue laranja. Nasceu da união do sangue vermelho de Zirmeu e do sangue amarelo de Xerba. Larco é o deus da terra, dos ventos e da saúde, e o seu povo é o aringhor. 



No Templo dos Três Criadores, pouco é revelado acerca da caracterização física de Larco. A sua mais famosa representação parte de uma estátua já danificada, em que lhe falta a cabeça, outrora decapitada. Sabe-se, contudo, que o mais novo dos irmãos é o que tem a aparência mais envelhecida, anda ligeiramente curvado, e costuma ser representado trazendo um sino numa das mãos. Como descendente do sangue amarelo, ao seu sangue também são reconhecidas algumas propriedades mágicas. Nos livros futuros serão revelados mais pormenores acerca da vida deste filho-deus. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Croncio

Croncio nasceu da união entre Falíria e Zirmeu. De facto, a aliança entre Falíria e Xerba durou apenas até ao nascimento de Aryn e Orrin. Segundo rezam os livros sagrados, Zirmeu imediatamente se apaixonou por Falíria a partir do momento em que avistou a deusa do sangue azul deitada nua sobre uma rocha a apanhar sol, na ilha de Tiréu. Falíria decide então abandonar Xerba e os seus filhos para se unir ao deus do sangue vermelho.



As versões divergem sobre se Falíria teria já elaborado o seu plano, lançando um feitiço sobre Zirmeu, pretendendo subjugá-lo pela carne, ou se o tempo que viveram juntos foi realmente o símbolo de uma relação amorosa pura, estável e duradoura, mas a verdade dos factos é que viveram como marido e mulher durante muitos e longos anos. Assim, adoptaram o roxo como cor comum, Zirmeu alterou inclusivamente o seu nome para Tarfo, e juntos constituíram família. Da sua união nasceu o filho-deus Croncio, criador do povo domenic.


Croncio, ao contrário dos seus irmãos de sangue verde, nunca cresceu, tendo conservado a sua aparência de criança para sempre. Por essa razão, é também conhecido como o deus criança. É descrito como um menino de cabelo curto, púrpura e espigado, de olhos muito grandes e redondos, e um sorriso espontâneo e inocente. Ousado e valente, viveu sempre com os pais e com eles aprendeu, e conta-se que, apesar do seu tamanho, derrotou uma serpente marinha quando viajava a nado até à ilha de Flur. Ele é o deus da infância, da água e da paz. 



Pai, mãe e filho são frequentemente representados em conjunto - como demonstra a imagem abaixo - principalmente no seio dos domenics, que reconhecem os 3 como os deuses do seu povo. Porém, chegaria a altura em que Tarfo romperia a aliança com Falíria, voltando a adoptar o nome de Zirmeu e a cor vermelha do seu sangue, para se ir unir mais tarde a Xerba. 


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Aryn e Orrin

Para além dos 3 Criadores, existem mais 4 divindades em Lusomel conhecidas como filhos-deuses. Não fazem parte da trilogia original, mas foram gerados a partir do relacionamento entre os criadores. Não tendo participado na criação de Lusomel, não têm assim o domínio do destino, mas são igualmente reconhecidos como divindades, vindo as histórias das suas vidas descritas nas Crónicas de Lusomel - os livros sagrados. Mais tarde, também constituíram cada um o seu próprio povo.

Os primeiros filhos-deuses perfilham-se como os gémeos Aryn e Orrin, fruto do relacionamento entre Falíria e Xerba, que se uniram para travar a hegemonia cada vez maior de Zirmeu. Assim, da união do sangue azul com o sangue amarelo surgiram os deuses de sangue verde: Aryn, do sexo feminino, e Orrin, do sexo masculino. 















Ao nascerem, porém, estes filhos-deuses foram abandonados por Falíria nas florestas de Lusomel, após a deusa de sangue azul ter deixado Xerba para ir viver com Zirmeu. Assim, cedo tiveram que enfrentar perigos vários, e aprender a lutar pela sobrevivência sozinhos. Os dois órfãos tornaram-se noctívagos, só saindo do seu esconderijo durante a noite, quando era seguro. Foram crescendo e sobrevivendo graças à sua união e trabalho de equipa, e fizeram das florestas o seu habitat natural.




Aryn é representada como uma rapariga esguia de rosto comprido e com duas longas tranças verdes compridas. Orrin tem apenas uma trança verde, e um rosto mais redondo. Aryn empunha uma espada e Oryn traz consigo o arco, as armas de eleição que os ajudaram a sobreviver. Eles são os deuses das florestas, da noite e da liberdade. São igualmente os criadores do povo dionathor, de sangue verde. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Xerba

O deus Xerba é o terceiro e último entre os criadores. Deus do sangue amarelo, ele foi o criador do povo qhaliothor. 


Diz-se que ao seu sangue estão associadas certas propriedades mágicas, sendo, dessa forma, considerado um sangue amaldiçoado por natureza. Consta que Xerba foi o deus que criou os homens e as demais criaturas, porém, sempre que as julgou  indignas de habitar Lusomel, lançou sobre elas a sua famosa maldição, contribuindo para a sua temerosa reputação. Não é, pois, por acaso, que este deus seja mais temido do que amado, mesmo entre os povos que partilham do seu sangue. 

Xerba é o deus da morte, do fogo e das artes. Alto, magro, de cabelo negro e comprido até aos pés, o mais sinistro dos deuses  não é homem nem mulher. As suas vestes são igualmente compridas, amarelas como a cor do seu sangue, e calça sandálias. Tem orelhas em bico, e o seu olhar é vazio e inexpressivo, o que também não motiva particular simpatia. Geralmente é representado com um pequeno pássaro sobre o seu ombro esquerdo, o seu principal conselheiro. Quando representado em conjunto com os restantes deuses criadores, Xerba ocupa a posição do lado direito. 

Trata-se de um deus sobre o qual pouco se sabe. As crónicas da sua vida são praticamente omissas nos livros sagrados, que apenas relatam os aspectos mais sombrios da sua existência. O seu verdadeiro papel na criação de Lusomel é ainda para muitos um mistério, mas pode trazer consigo a chave que abrirá a porta para os derradeiros segredos por detrás da da história.  

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Falíria



A segunda deusa da tríade dos criadores, representada ao centro, é a deusa Falíria, a padroeira e criadora do povo mézanic. Ela é a deusa do amor, da beleza e da sabedoria. 



Também conhecida como a deusa do sangue azul, Falíria é representada na figura de uma mulher incrivelmente bonita e sedutora, de cabelo longo, também ele azul, a escorrer-lhe pelos ombros e costas. O seu vestuário habitual, um vestido comprido e sensual de um azul suave, realça toda a sua feminilidade. 




Quando representada apenas com Zirmeu, o seu cabelo adopta frequentemente uma tonalidade roxa, símbolo da sua união. Afinal, Falíria e Zirmeu, sob a designação de Tarfo, viveram como marido e mulher durante um período da sua vida, tal como vem relatado no terceiro capítulo do primeiro volume dos livros sagrados de Lusomel – Crónicas de Zirmeu e Falíria. Nesta imagem do lado direito podemos encontrar uma possível representação conjunta de ambos os deuses, que chegaram inclusivamente a gerar um filho, Croncio, como será falado num outro post. 





domingo, 5 de agosto de 2012

Lusomel: Mitologia - Zirmeu

Em Lusomel são 7 as divindades reconhecidas e veneradas pelos diversos povos humanos que habitam o Arquipélago. A cada divindade está associada uma cor do sangue, o mesmo sangue que corre nas veias do povo por si criado. A história das suas vidas vem relatada nos livros sagrados conhecidos por Crónicas de Lusomel.

Entre as 7 divindades, 3 são os deuses criadores, e 4 são os filhos-deuses. Os 3 criadores são os fundadores do mundo tal como ele existe, e cabe-lhes o papel de comandar o seu destino e o de todas as criaturas que nele vivem.

Zirmeu é o primeiro dos três criadores, o deus do sangue vermelho e criador do povo faremanic. Quando representado com os outros 2 criadores, ocupa sempre a posição do lado esquerdo. 


É o deus da força, da guerra, da justiça. É descrito como sendo um homem com uma espessa barba vermelha e um cabelo comprido da mesma cor, de tronco nu, largo e musculado, empunhando um martelo em certas ocasiões.


Este deus também é conhecido pelo nome de Tarfo, nomeadamente entre o povo domenic, sendo nesse caso representado com cabelo, barba e roupas de cor violeta. As razões da divergência existente quanto ao nome e aparência serão aprofundadas em posts mais adiante, nomeadamente a propósito do deus Croncio. As imagens são meramente exemplificativas. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Novo excerto


O excerto que aqui  apresento desta vez é retirado da parte final do Capítulo 21 de O Templo dos Três Criadores, página 387/388 do livro:

"(...) Muitos dos que hoje suspiram para que seja criada uma nova República, saudosistas da que se estabeleceu na Quarta Era, desconhecem que esse período no total não chegou aos cem anos de existência, e a paz era uma miragem! Foi um fracasso total!
- Ainda que tenha sido, não nega a evidência das coisas terem começado a dar para o torto a partir do momento em que os qhaliothors passaram a fazer parte dela! Eles eram uns autênticos bárbaros! Mas olhemos para a actualidade por um instante: não é só nesta ilha de Cratóvia que antigas raças kriorn têm voltado a ser avistadas com frequência! Já se sussurra por diversos locais do Arquipélago que vivemos um clima igual àquele que se respirava antes das Invasões terem marcado o início da Terceira Era, com antigas profecias há muito derrotadas pelos homens a serem novamente invocadas! Por isso, insisto em como era a altura ideal para uma nova República voltar a ser forjada, em nome da harmonia entre os povos humanos, especialmente agora que os qhaliothors estão desaparecidos e sem sinal de regressar a Lusomel!
- Os qhaliothors estão desaparecidos porque são uns cobardes! – exclamou Qairo em voz alta – Porque acharam que, caída a República, com as perseguições e mortes que se seguiram, às quais nem o seu líder escapou, não haveria hipótese nenhuma de voltarem a conviver harmoniosamente com mais nenhum povo humano nem nehuma raça! Por isso esconderam-se, sabem os deuses onde! Mas esse não é o caminho para a paz em Lusomel! Nem esse, nem o regresso ao passado, com a edificação de uma nova República, como vós apregoais!
- Então, qual deve ser o caminho a seguir? – desafiou-o, por fim, Cáspio.
- Não sei, meu caro Cáspio, mas um dia ainda o irei mostrar ao mundo!"


Nos próximos dias irei aproveitar este espaço para expor e analisar um pouco mais ao pormenor os principais aspectos relacionados com a mitologia subjacente a Lusomel, em torno da qual gira toda a acção do livro. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Mais um excerto


Dando continuidade ao "precedente" que abri no último post, aqui fica mais um trecho do livro O Templo dos Três Criadores, este centrado na mitologia por detrás da história, e que pode ser encontrado no Capítulo 15:

"Xerba era o deus do sangue amarelo, sangue esse que estava associado a certas propriedades mágicas. O deus da morte, do fogo e das artes era assim o mais sinistro e tenebroso de todos, aquele que não era homem nem mulher, com orelhas em bico, cujos olhos brancos eram desprovidos de expressividade, o deus do qual só se conheciam as histórias mais sombrias e que pouco ou nada vinha referenciado nas Crónicas de Lusomel, ao contrário dos restantes seis, cujos feitos e glórias eram amplamente aclamados nos Livros Sagrados. Mas afinal, qual tinha sido o papel de Xerba na Criação de Lusomel?
- Bem, – esclareceu Ozlus – Xerba foi praticamente o Criador dos Criadores, no que a nós diz respeito! É um facto que acabou por ficar com as tarefas mais ingratas, pois enquanto Zirmeu e Falíria se ocuparam de desenhar e inventar Lusomel a seu bel-prazer, criando todo este magnífico Arquipélago, Xerba sempre se interessou mais sobre o tipo de criaturas que o iriam povoar, e para criar a raça perfeita fez inúmeras experiências até chegar àquela que mais se aproximava da que ele idealizara para habitar no seu mundo...
- Os Homens.
- Isso mesmo, caro Denzil! Mas antes disso, outras criaturas foram alvo das suas experiências, e como não vingaram nem realizaram os propósitos que o deus amarelo tinha estabelecido, Xerba lançou-lhes a sua maldição, para todo o sempre conhecida como a maldição de Xerba! Já não podia desfazer o que estava feito, mas condenou essas raças a viver na condição de criaturas indignas e inferiores, esvaziando-as de todas as virtudes divinas e humanas, habitando as ilhas e locais mais pobres e desprezíveis do Arquipélago!
- É essa a origem dos kriorns?
- Nem mais! São criaturas outrora amaldiçoadas por Xerba, vis e mesquinhas, que desde então procuram recuperar o poder que já lhes pertenceu! E é nosso dever enquanto homens combatê-las, triunfando sobre todas as demais criaturas de Lusomel como foi vontade dos deuses! Lembrai a mensagem do último capítulo das Crónicas, a nós, homens, dirigida: quebrai o que foi quebrado, fazendo do solo crescerem todas as virtudes! Devemos sim eliminá-los fazendo renascer todas as virtudes, mas tendo sempre presente na memória que o mesmo que lhes sucedeu a elas, pode suceder a nós se não formos um povo grato e solidário, e se não venerarmos os deuses e o nosso Arquipélago com toda a dedicação! Por isso este deus é tão temido, pois todos receiam que a maldição de Xerba caia sobre si, e que estejam condenados a viver na condição de escravos, criaturas sem alma, nesta vida ou na próxima!(...)"

terça-feira, 24 de julho de 2012

Balanço (e um breve excerto)


Já voaram mais de três meses sobre lançamento do livro. O balanço continua a ser bastante positivo. Recentemente, foi o Segredo dos Livros que publicou uma breve mas motivante opinião acerca de O Templo dos Três Criadores, que passo aqui a citar:

Um livro muito interessante, repleto de personagens misteriosas, cheias de segredos.
Achei fantástica a forma como se desenrola todo o enredo, cheio de surpresas desde as primeiras páginas até à última.
A mitologia é também uma parte fascinante deste livro que nos ajuda a compreender melhor toda a trama, muito bem elaborada.
Fiquei agradavelmente surpreendida e desejosa do próximo volume.

Relembro os locais onde o livro se encontra disponível para venda. E aproveito igualmente a ocasião para deixar aqui um excerto do livro que terão oportunidade de ler no Capítulo 4. 

"O Templo dos Três Criadores era o monumento padrão entre os povos de raça humana que habitavam o Arquipélago de Lusomel há mais de dois mil e quinhentos anos. Metáfora de uma civilização, constituía um marco de tal forma assinalável que era raro passar-se junto de um e não se ficar simultaneamente intimidado e maravilhado com a magnificência que um edifício daqueles exibia. Em Boaliz, tal como nas principais cidades da maioria das ilhas, o Templo situava-se na praça central, a mais cosmopolita, por onde diariamente desfilavam carreiras de pessoas e mercadorias, homens e mulheres, nacionais e estrangeiros, soldados e comerciantes, nobres senhores e gentes do povo, sacerdotes tricolores e padres locais, vendedores e mendigos, animais e carroças, entre muitos outros. Era no seu seio que todos os anos tinham lugar os grandes festivais e celebrações, e nesses dias, fizesse sol, chuva intensa ou mesmo neve, fosse noite de Lua Branca ou Lua Negra, todos compareciam em massa para venerar os respectivos deuses. Das ilhas de norte a sul, até às mais exóticas dos mares a este e a oeste, deste e do outro lado do Grandemar, era sabido que sempre que um Templo era avistado, então era seguro que aquelas terras estavam sob o comando dos povos de raça humana, e que o Templo tinha sido edificado como um símbolo de união e identificação (...)".

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Crítica literária


Tenho o prazer de anunciar que o meu livro já se encontra entre  As Leituras do Corvo, o famoso blog literário que publicou recentemente uma crítica muito interessante a O Templo dos Três Criadores, que podem ler aqui.

Destaco em particular a seguinte passagem do último parágrafo, que sintetiza na perfeição a opinião geral: A impressão global que fica é a de uma história cativante, com um sistema interessante e vasto em potencial, que perde, é certo, parte da envolvência devido aos excessos descritivos e a algumas distracções de revisão, mas que consegue surpreender, nos melhores momentos, e despertar a curiosidade em saber o que virá depois. Um início interessante, portanto.

É sempre gratificante receber o feedback com as principais impressões que o livro desperta nos leitores. Trata-se de um passo fundamental para um autor crescer e melhorar enquanto tal. Agradeço deste modo à administradora do Leituras do Corvo pelo contributo que deu nesse sentido. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Devaneios


Nesta última semana estive em destaque no blog literário Bloco de Devaneios, que publicou, respectivamente, uma entrevista comigo (que podem ler aqui) e um passatempo com o livro O Templo dos Três Criadores, a decorrer até ao próximo dia 23 de Junho. 

No âmbito desta entrevista, abordou-se, como é natural, a minha relação com a escrita e a ideia por trás do livro, até ao momento em que recebi a resposta afirmativa por parte de uma editora portuguesa. Também tive oportunidade de fazer uma pequena reflexão sobre o papel fundamental que reconheço à blogosfera literária no que respeita à divulgação e à crítica literárias. Por tudo isto, agradeço à administradora do Bloco de Devaneios pela oportunidade que me deu. 

Ainda a propósito de passatempos, já existe uma vencedora do passatempo levado a cabo no Morrighan que terminou no passado dia 15, a quem dirijo as minhas felicitações. A todos os restantes participantes (e foram de facto muitos!), sugiro então que tentem a vossa sorte através deste novo passatempo do Bloco de Devaneios, e poderão ser os próximos contemplados. 

domingo, 10 de junho de 2012

Pontos de chegada

Passo a passo, este meu primeiro livro foi fazendo o seu percurso natural pelos rios dos círculos de distribuição até ir desaguar nas principais livrarias e estabelecimentos de venda (físicos e virtuais) do país, onde se perfila neste momento lado a lado com a vasta e diversificada fauna literária deste oceano que é o mercado livreiro, que vai desde os peixes mais pequenos até aos autênticos tubarões. Serve este post para fazer uma actualização desses mesmos locais - os pontos de chegada - onde o O Templo dos Três Criadores se encontra disponível para venda. Em baixo seguem os links dos principais estabelecimentos a partir dos quais o podem adquirir:





Aproveito igualmente para chamar a atenção para um novo passatempo que está a decorrer no blog Morrighan, nos termos do qual ao vencedor será atribuído um exemplar autografado do livro. O passatempo decorre até ao dia 15 de Junho. Participem!

domingo, 27 de maio de 2012

À Lareira com...

Desta vez, foi o blog Literário Tertúlias à Lareira quem publicou uma entrevista comigo, na sua já conhecida rubrica À Lareira com..., um espaço privilegiado de perguntas e respostas por onde já passaram diversos autores e bloggers portugueses. 

Esta minha entrevista foi focada no lançamento do meu primeiro livro, desde o processo de criação e surgimento de ideias, revisitou algumas das minhas primeiras memórias ligadas à escrita, e abordou também alguns dos meus principais projectos passados, presentes e futuros relacionados com a escrita, dentro e fora da saga Crónicas de Lusomel. Constituiu, assim, uma excelente oportunidade para dar a conhecer um pouco mais do meu trabalho, e por tudo isso expresso os meus agradecimentos à administradora do Tertúlias à Lareira.

Convido-vos desde já a visitarem o blog e a lerem algumas das suas entrevistas e críticas literárias que têm sido feitas. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

@cordo ortográfico

O logótipo do novo acordo ortográfico pode ser encontrado na contracapa do livro O Templo dos Três Criadores, sinalizando a grafia nos termos da qual o livro foi editado. Tratou-se de uma decisão tomada por mim, no sentido de conformar o livro com a nova política editorial e de comunicação da editora. No entanto, durante o processo de edição do livro, considerei que deveria dar a conhecer o meu ponto de vista sobre o assunto, e as razões que me levaram a consentir que o livro fosse convertido ao novo Acordo Ortográfico. E assim o fiz, através da introdução de uma curta Nota de Autor, que poderão encontrar na última página do meu livro. Por considerar ser um tema relevante da actualidade, e particularmente uma questão de princípio, proponho-me a reproduzir aqui a minha nota  final do livro:


Como o leitor terá certamente reparado, este livro encontra-se editado ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, aprovado em 1990 e introduzido oficialmente entre nós desde janeiro de 2009. Mesmo desconhecendo qual será o ponto de vista do leitor sobre o assunto, a natureza controversa do tema obriga-me a roubar mais uns instantes do seu tempo acrescentando mais esta folha à sua leitura, em jeito de nota final.
Começaria por referir, em primeiro lugar, que a decisão de adotar o novo Acordo Ortográfico foi minha, em concordância com o estabelecido com a Alfarroba Edições. Em segundo lugar, apraz-me referir que, apesar de este livro ter sido editado em conformidade com o novo Acordo Ortográfico, ele não foi escrito ao abrigo das novas regras impostas pela reforma, mas antes de acordo com a ortografia oficialmente vigente até então. Com efeito, eu, enquanto autor e cidadão português, manifesto a minha discordância geral com os pressupostos e fundamentos que nortearam a implementação do novo Acordo Ortográfico entre nós, assim como a própria validade jurídica da convenção que o instituiu, por razões que não seriam adequadas estar aqui a explanar. 
Mas então, perguntará o leitor, qual a razão que me levou a adotar o novo Acordo Ortográfico já depois de o livro estar escrito?
Efetivamente, após algum tempo de ponderação, acabei por decidir – já que, insisto, a decisão final foi da minha inteira responsabilidade – submeter a minha obra ao novo Acordo Ortográfico. Fi-lo porque tive de tomar em consideração todos os contrapesos do outro braço da balança, designadamente as exigências do mercado e as estratégias de marketing, cujo peso e importância são absolutamente fundamentais, principalmente para quem, como eu, está ainda na rampa de lançamento e começa agora a dar os primeiros passos. Foi necessário ter em atenção que este livro tem como público-alvo preferencial, embora não exclusivo, as faixas etárias mais jovens, e que o contacto destas, tanto ao nível escolar/académico como ao nível da interação social começa a ser tendencialmente feito segundo os novos padrões. Afinal de contas, já é possível encontrar-se um consenso em torno da adoção do novo Acordo Ortográfico, tendo sido incorporado não só ao nível dos mediáticos órgãos de comunicação social, mas também da comunicação corrente entre entidades públicas, escolas, empresas, etc.
Perante este cenário, resta reconhecer que há coisas que nos ultrapassam. Há que ser pragmático e há que ser realista. Escrevi este livro no português que aprendi e continuarei a escrever da mesma forma, publiquei-o com muito orgulho, e não será este pormenor que me retirará essa satisfação. Por isso aqui deixo esta nota em jeito de “voto de vencido”, por se tratar, creio, de uma questão de princípio e de objeção de consciência.
Não escrevo este texto em tom de protesto. Não me arrogo dono de nenhuma verdade, nem espero convencer ninguém a pensar como eu ou a fazer desta discussão um cavalo de batalha. Trata-se simplesmente da minha humilde opinião, que defenderei como todas as minhas convicções, sem qualquer tipo de imposição. Na melhor das hipóteses, talvez possa levar o leitor a refletir (com “c”) sobre o tema, de forma a olhar criticamente para a nossa língua portuguesa e sobre ela retirar as suas próprias conclusões.


Para uma maior compreensão da minha posição acerca deste tema, sugiro que visitem esta página do meu blog sem justa causaonde faço uma análise mais extensa do que me parece ser o cerne do problema relacionado com a implementação do novo acordo ortográfico. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Feira do Livro 2012

Como previsto, Domingo passado marquei presença às 17 horas na Feira do Livro de Lisboa, numa iniciativa da Alfarroba que reuniu, para além de mim, 3 outros autores com os quais tive o prazer de partilhar a mesa: Sara Farinha, Ricardo Tomaz e Andreia Ferreira.




O dia esteve bastante convidativo, e o o balanço do evento é francamente positivo na medida em que pude conviver com outros autores, dar a conhecer a pessoas novas um pouco melhor o projecto por detrás do meu primeiro livro, ter um primeiro contacto directo com o grande público, e ainda assinar alguns autógrafos. 





Um muito obrigado a todos os que por lá apareceram para me darem força! Poderão encontrar mais registos fotográficos do evento nos blogs Morrighan e Alfarroba.

Chamo igualmente a atenção para um outro passatempo envolvendo o meu livro, que está a decorrer no site Segredo dos Livros, válido até ao dia 13 de Maio. Uma nova oportunidade para quem se quiser habilitar a ganhar um exemplar. 

Espero ter mais novidades para breve.