domingo, 30 de dezembro de 2012

"Quando eu morrer, prefiro ir para a Terra Média"




“A melhor fantasia é escrita na linguagem dos sonhos. Ela vive como vivem os sonhos, mais real do que a realidade… por instantes, pelo menos… aqueles longos instantes mágicos antes de acordarmos.
A fantasia é prateada e escarlate, índigo e azul-marinho, obsidiana raiada de dourados e lápis-lazúli. A realidade é de madeira prensada e de plástico, feita com lama castanha ou do baço verde-azeitona. A fantasia sabe a pimentos picantes e a mel, a canela e a cravinho, a carne vermelha mal passada e a vinhos doces como o verão. A realidade é feijões e tofu, e, no final, cinzas. A realidade são as ruas comerciais de Burbank, as chaminés de Cleveland, um parque de estacionamento em Newark. Fantasia são as torres de Minas Tirith, as pedras antigas de Gormenghast, os salões de Camelot. A fantasia voa nas asas de Ícaro, a realidade nas Southwest Airlines. Porque se tornam os nossos sonhos tão mais pequenos quando, finalmente, se tornam em realidade?
Lemos fantasia para descobrir de novo as cores, creio eu. Para provar os sabores fortes e ouvir a canção que as sereias cantam. Há algo de antigo e de verdade na fantasia que fala a alguma coisa que vive profundamente dentro de nós, que fala à criança que sonhou que um dia caçaria as florestas da noite, e banquetear-se-ia sob os montes ocos e encontraria um amor que duraria para sempre algures a sul de Oz e a norte de Shangri-la.
Eles podem ficar com o céu para eles. Quando eu morrer, prefiro ir para a Terra Média”.
George R. R. Martin




É ao sabor desta reflexão de George Martin acerca da fantasia que aqui deixo o último post de 2012 do blogue. Após inúmeros anos a mastigar a fantasia como leitor, este ano tive finalmente a oportunidade de me estrear nela como autor, e de dar o meu humilde contributo para esse vasto e magnífico universo do fantástico: em Abril, com a publicação do meu primeiro romance Crónicas de Lusomel – Parte I – O Templo dos Três Criadores, e em Setembro com a publicação da Antologia Erótica Fantástica, com o meu conto Memórias de Alto-Mar a figurar entre os contos seleccionados. Assim, posso seguramente afirmar que me sinto realizado com o caminho até aqui, e que a experiência que estes primeiros passos me têm proporcionado até agora tem sido fantástica. Muitos e novos projectos preenchem agora o meu horizonte, e espero dar continuidade a todos eles na máxima força já em 2013.
Como tal, não podia deixar de expressar aqui os meus sinceros agradecimentos a todos os familiares, amigos, conhecidos, editores, compradores, leitores, críticos, e outros, que de uma maneira ou de outra me acompanharam e apoiaram ao longo deste ano. A todos esses e aos demais, expresso aqui o meu desejo de Boas Entradas e de um Feliz 2013, cheio de coisas fantásticas! 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Apresentação do Livro na JFL


Tal como tive oportunidade de revelar oportunamente na página do Facebook das Crónicas de Lusomel, na próxima 4ª feira, dia 19 de Dezembro, irei realizar uma breve apresentação do meu primeiro romance O Templo dos Três Criadores, no âmbito da iniciativa À Conversa com o Escritor da Junta de Freguesia do Lumiar (JFL) .

A apresentação irá decorrer no edifício do espaço cultural da Junta (1º piso da UTIL -  Universidade da Terceira Idade do Lumiar) pelas 18 horas. Conto com a vossa presença!

Até lá, convido-vos ler esta curta resenha à Antologia Erótica Fantástica no blogue Leitura Escrita, da leitora Ana Carolina, onde se insere o meu conto Memórias de Alto-Mar


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Novo excerto (2)

Aqui fica mais um excerto de um dos diálogos mais interessantes do livro, constante do Capítulo 21 de O Templo dos Três Criadores:

"(...) Escuta, Denzil... no que aos deuses diz respeito, cada um adopta a versão que entender, geralmente a mais favorável para si e para o seu povo. À pergunta que me fizeste sobre Xerba, respondi-te que não havia razão nenhuma para temê-lo, pois temor só devemos ter daqueles que estão à nossa volta e habitam no nosso mundo. É tempo de deixarmos os deuses no etéreo onde pertencem, e de pararmos de os responsabilizar por todos os erros e males que sucedem entre os homens.
- Mas são eles que determinam o nosso Destino! – atalhou Denzil.
- Será? Ou será que essa ideia não é mais uma que os homens criaram em sua defesa, encontrando uma desculpa fácil e eficiente para a sua falta de clarividência?
- Mas são os próprios livros sagrados que nos contam as suas histórias, e a História de Lusomel! Nós apenas seguimos a palavra dos nossos Criadores!
- As Crónicas foram escritas por homens e mulheres, Denzil: não por Deuses.
- Mas tudo o que elas dizem faz sentido! A origem de Lusomel, a Lua Negra, os kriorns, a criação de cada povo... não é por acaso que nós não somos todos iguais, é diferente a cor do sangue que corre em cada um nós, e são diferentes as características de cada povo, em função de cada um dos deuses!
- Isso tudo é verdade, Denzil, mas agora pensa: e se foram os homens a criar os deuses à sua imagem e semelhança, e não o contrário? E se as diferenças entre os homens fizeram as diferenças entre os deuses? Sendo assim, os dionathors, enquanto povo nocturno e habitante de florestas, identificou-se com deuses que tivessem o mesmo modo de vida; da mesma forma, os mézanics, em função da sua sociedade marcadamente matriarcal, escolheram uma deusa de azul para sua padroeira, e não um deus... e por aí fora. Repara, nem os livros sagrados podem gabar-se de ser fidedignos e trazer a verdade absoluta, pois até neles podemos encontrar alguns erros: segundo a mitologia, os aringhors foram o último povo a ser criado, pois Larco foi o último dos filhos-deuses a nascer, e é referido como o irmão mais novo. Porém, a sua dinastia imperial que reinou até à revolução conseguia refazer a sua linhagem até aos primórdios da Primeira Era, numa altura em que supostamente só os três povos originais habitariam Lusomel, o vermelho, o azul, e o amarelo. Aliás, consta que eles já habitavam algumas ilhas muito antes de faremanics e mézanics os descobrirem... portanto, como vês, Denzil, a mitologia tem tanto de fascinante como de complexo, mas não é absoluta! E por isso existem tantas versões diferentes...
- O que é que quer dizer com isso? Que os deuses não existem?
- Talvez sim, talvez não. Provavelmente zelam por nós a partir do céu celestial lá de cima, mas em tantos anos a caminhar sobre a terra, nunca vi nenhum imiscuir-se nos nossos assuntos. Por isso o que digo é apenas isto: tratemos nós dos nossos problemas e deixemo-los em paz a tratar dos seus!(...)" 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ao Domingo Com...

A começar este mês de Outubro, tenho o prazer de partilhar a minha participação no blog O Tempo entre os meus livros, mais especificamente na sua conhecida rubrica Ao Domingo Com..., um espaço onde os autores são convidados a publicar um texto dentro do tema da escrita/ leitura, geralmente relacionado com a sua própria experiência. Pela minha parte,  como poderão verificar, optei por partilhar algumas reflexões sobre a leitura ao invés de centrar o texto na minha pessoa, e agradeço desde já ao blog e à respectiva administradora pela oportunidade que me deram de figurar ao lado de tantos outros autores portugueses. 

Do outro lado do Atlântico, foi finalmente lançada oficialmente a Antologia de onde consta o meu primeiro conto publicado (Memórias de Alto-Mar), de que já tive oportunidade de falar anteriormente. O evento Fantasticon decorreu nos fins-de-semana de 15/16 e 22/23 de Setembro, e para quem quiser saber um pouco mais, deixo aqui a entrada que o organizador da Antologia Erótica Fantástica, Gerson Lodi-Ribeiro, publicou no seu blog Crônicas da FC Brasileira a propósito do mesmo, que vale a pena ler aqui e aqui

domingo, 23 de setembro de 2012

Lusomel: Cronologia - Eras (continuação)

Na sequência do último post, aqui fica a cronologia desde a Quarta Era até ao momento em que a acção de O Templo dos Três Criadores tem início:

Quarta Era - da República

- A mais curta das 7 Eras, durou apenas 99 anos, cerca de 3 gerações.
- Na sequência o Tratado de M'lur, é formada uma aliança entre os povos humanos, que vem a ser designada de República.
- Os seus objectivos passavam por formar um centro de decisão comum, uma Assembleia onde tivessem assento os líderes de todos os povos, com o objectivo de agir concertadamente e estar melhor preparados em caso de novas ameaças por parte dos kriorns. 
- A ilha de Urdinesa, uma das mais devastadas pelas invasões, é escolhida como a sede da República, reconstruida e dividida em 6 regiões, cada uma destinada a cada povo, para a partir daí tomarem decisões em conjunto e governarem o Arquipélago.
- Inicialmente, o povo qhaliothor, ainda de luto pela morte do seu Líder e ressentido com a falta de solidariedade dos demais povos, rejeita a sua participação na República. Adere alguns anos mais tarde, em parte pelo receio que de isolamento se voltassem a ser atacados, em parte pelo desejo de voltar a ter domínio, ainda que parcial, sobre a ilha que consideravam a sua Primeira Sede. Mais tarde, serão eles os primeiros abandonar a República. 
- Os domenics fazem da sua capital Boaliz, a antiga e mítica cidade dos qhaliothors, outrora designada Formosa
- Durante mais de 50 anos, os 6 povos conseguem entender-se e a República mantém-se unida. As ameaças por parte dos kriorns tornam-se insignificantes. Porém, o receio que os agregava vai desaparecendo, e passadas 2 gerações, voltam a surgir desentendimentos entre os dois maiores povos: faremanics e mézanics. Cresce o clima de desconfiança, e nos últimos  anos de vida por várias vezes a República ameaça desmoronar-se. 
- A inevitável guerra entre faremanics e mézanics acaba por rebentar. O povo qhaliothor abandona formalmente a República, e é acusado de provocar o seu fim. A sua capital é atacada e destruída como retaliação, e o seu líder assassinado pela 3ª vez, tal como acontecera na 1ª Era. Muitos foram perseguidos e chacinados. 

Quinta Era: - da Evasão

- Nas vésperas do seu centésimo aniversário, a República, já ingovernável, é dissolvida.
- Os qhaliothors abandonam definitivamente a ilha de Urdinesa, implementando um plano ao longo das décadas seguintes que já vinha sendo pensado como último recurso desde a 1ª Era: o abandono gradual de todas as suas ilhas e o refúgio num local onde permanecessem anónimos e incomunicáveis. 
- O rei faremanic e a imperatriz mézanic celebram uma paz formal, mas ela duraria pouco tempo. Na prática, vivia-se um período de paz armada, que antecederia a grande guerra.
- Urdinesa fica bipolarizada entre o norte, dominado pelos faremanics, e o sul, pelos mézanics. Os aringhors tornam-se nos principais aliados do povo vermelho, enquanto os dionathors tomam partido pelos mézanics. Restam os domenics, que no pedaço de terra oriental da ilha de Urdinesa, proclamam a sua neutralidade.
- Quando a paz é finalmente quebrada, tem início, em Urdinesa, a maior guerra entre povos humanos da história de Lusomel, que duraria mais de 100 anos. Com os dois maiores impérios envolvidos - faremanics e mézanics - a guerra facilmente se alastra para os quatro cantos do Arquipélago. O período é marcado por um conjunto de conflitos armados por todo o território.
- É desta Era que subsistem os últimos vestígios da passagem do povo qhaliothor pelo Arquipélago. Desaparecem da face de Lusomel e nos séculos seguintes até serão dados como um povo extinto. 

Sexta Era: - da Transformação

- A cisão do povo domenic marca o início da Sexta Era.
- Inicialmente neutros na guerra que despoleta, será cada vez mais difícil preservar essa neutralidade à medida que os conflitos se vão expandindo e as pressões começam a ser cada vez mais intensas por parte das duas potências hegemónicas. O rei domenic vai auxiliando uma e outra, mas sem sucesso. 
- Perante a inevitabilidade e infinitude da guerra, o rei domenic acaba por decidir declarar apoio aos mézanics. Na sequência, os faremanics cercam a ilha de Fimicosta e invadem os seus territórios em Urdinesa. A corte domenic foge então para a ilha de Flur onde estabelece governo. Em Boaliz, é proclamado um novo rei domenic, partidário dos faremanics.
O povo domenic cinde-se finalmente: dois reis, dois governos, uma facção mézanic, outra faremanic. O seu reino é dividido ao meio. Como parte integrante da grande guerra, as duas facções entram em guerra civil. 
- Mais tarde, na sequência de uma crise de sucessão interna e da ameaça de guerra civil entre os mézanics, e após a derrota na batalha de Urdinesa, a imperatriz assina a paz com o rei faremanic, reconhecendo oficialmente a derrota para os mézanics ao fim de mais de 100 anos de conflitos.
- A grande guerra termina, mas os seus efeitos prolongar-se-iam por muitos séculos. A ilha de Urdinesa é repartida em 3 reinos, aringhors e dionathors perdem os seus territórios anexados pelas duas potências, e fixam-se definitivamente no outro lado do GrandeMar
- Entre os domenics, porém, já nada seria igual: Ambos os governos, incapazes de se entenderem devido à guerra entre eles, mantém-se separados e incomunicáveis. Dois povos de sangue violeta, dois reis, duas capitais - uma em Urdinesa, uma em Flur.
- No seio do povo aringhor, também em consequência da guerra e das crises que se sucederam, tem lugar a designada Revolução Gloriosa, uma insurreição sangrenta que irá levar à deposição da milenar dinastia imperial Monastir, através do assassínio do imperador e de toda a sua família. Um novo líder é proclamado - o caiser - e a sua capital passa da ilha de Valerenga para Harganoth, na ilha de Luduval.
- Os partidários do antigo regime são exilados, e desde então combatem na clandestinidade para derrubar o caiser e o seu regime, com o propósito de restaurar a dinastia imperial. 
- Anos mais tarde, sobe ao reino de Urdinesa o rei Damião, mais tarde conhecido como o Unificador. Trezentos anos após a cisão, sonha com reunificação do povo violeta. 
- Ao lado de Bártolo, luta numa batalha em Urdinesa contra os mézanics, ainda por questões fronteiriças, lado a lado com os faremanics. De seguida porém, revolta-se contra os faremanics e reclama para si os territórios. O povo vermelho não aceita, mas é derrotado em combate. 
- Com diplomacia, convence o reino de Flur a juntar-se-lhe, e após mais um punhado de vitórias, é reconhecido por todos os domenics como o verdadeiro rei, o único monarca capaz de desafiar abertamente as duas maiores potências e sair vitorioso. Em negociações, liberta Flur da influência dos mézanics e reunifica todo o antigo reino domenic, episódio que dará início à 7ª Era - da Reunificação.

- 50 anos depois, Denzil e os seus dois companheiros embarcam numa aventura para o outro lado do GrandeMar, em busca de uma citação das Crónicas de Lusomel que pode desvendar um dos maiores segredos de todo o Arquipélago. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lusomel: Cronologia - Eras

Na sequência das entradas deste blogue durante o mês passado acerca da mitologia presente no universo de Lusomel, abro agora o espaço para aprofundar um pouco mais a História deste mundo até ao momento em que começa a acção de O Templo dos Três Criadores. 


Primeira Era - da Geração 

- Também conhecida por Era Milenar, por ter durado pouco mais de 1000 anos.
- Faremanics, Mézanics e Qhaliothors são os 3 primeiros povos humanos de que há registos, que, além dos kriorns, habitavam o Arquipélago apenas conhecido desde Urdinesa até ao Mar do Sul. 
- Entre os 3 povos, os qhaliothors, cujo território se estendia por toda a ilha de Urdinesa - ainda hoje conhecida como a maior das ilhas - eram a nação mais próspera, pois dizia-se que o seu sangue amarelo tinha herdado a magia do mundo antigo, anterior à Cisão, o acontecimento que terá marcado o início da civilização humana. 
- A primeira grande guerra opõe faremanics e mézanics numa aliança contra qhaliothors. Estes últimos são derrotados, o seu líder é assassinado pela 1ª vez, e a ilha de Urdinesa é dividida em 2 e anexada pelos povos do sangue azul e vermelho.
- Como forma de preservar a paz, é edificado o primeiro Templo na ilha sagrada do Oráculo, onde a representação dos deuses de cada povo (Zirmeu, Falíria e Xerba) é feita pela 1ª vez em conjunto. 
- Séculos depois, fruto da expansão marítima, começam a ser identificados 3 novos povos: os Domenics, sediados na ilha de Flur; os Aringhors, na ilha de Valerenga; e os Dionathors, um conjunto de povos nómadas dispersos por densas florestas. 
- Após alguma controvérsia, passam a ser 6 os povos do Arquipélago reconhecidos como humanos. O grau de civilização dos povos não originários estava muito acima dos kriorns. A própria rainha dos mézanics muda a sua designação oficial para Imperatriz, por influência da dinastia imperial Monastir que governava os aringhors. 
- As Crónicas de Lusomel são então reconhecidas oficialmente como os livros sagrados da civilização humana, e considerados património comum de todos os povos. 

- Segunda Era - da Expansão 

- Nova Era é marcada pela fundação oficial da Ordem dos Sacerdotes, a guardiã dos livros sagrados, constituída por representantes de todos os povos com o propósito de zelar pela paz e difundir a religião por todo o Arquipélago. A Ordem fica sediada na ilha do Oráculo. 
- Os Templos, símbolo da civilização humana,  começam a multiplicar-se por diversas ilhas. Em cada nova ilha descoberta ou conquistada por povos humanos era edificado um novo Templo como padrão.
- Época de grandes reis e heróis, o período é marcado por crescimento, prosperidade e expansão marítima e territorial. É levada a cabo uma cruzada contra as raças consideradas amaldiçoadas. O objectivo comum passa a ser a erradicação dos kriorns de todo o Arquipélago. 
- O povo domenic destaca-se como o grande impulsionador da expansão marítima, onde se destaca o nome ainda hoje recordado de Alvim, o Navegador, que se aventurou por mares muito além dos então conhecidos. O seu paradeiro, contudo, nunca foi certo após ter desaparecido na sua última expedição marítima. Acredita-se que tenha sido assassinado pelos mézanics ao cruzar o Mar do Sul.
- De facto, a hegemonia do Arquipélago era repartida entre faremanics e mézanics, detentores dos mais vastos impérios. A rivalidade entre os dois povos, ainda hoje presente,   forma raízes e acentua-se nessa época. 
- Para contrariar essa hegemonia, forma-se entre os qhaliothors e os povos considerados descendentes do sangue amarelo - aringhors e dionathors - uma aliança conhecida como o Pacto, que, sob juramento ao deus comum - Xerba - irá determinar o auxílio mútuo e a não agressão entre os 3 povos. 

Terceira Era - da Invasão

- Era foi marcada por um retrocesso na expansão da civilização humana durante os cerca de 250 anos que a definiram.
- Os diversos povos humanos sofrem sucessivos ataques e invasões provenientes das raças kriorn, que conjugam forças entre si em torno de uma antiga profecia, e partem do Mar Vermelho para recuperar o seu domínio sobre Lusomel e eliminar os homens. 
- Territórios são ocupados por todo o tipo de kriorns e os povos humanos não têm mãos a medir para travá-los. Sucedem-se vagas de guerras e invasões, inicialmente dum lado do Arquipélago, depois do outro, envolvendo todos os povos à escala mundial. Cidades caem, as próprias capitais dos faremanics e qhaliothors são aruinadas, Templos são destruídos.
- Com o tempo, os 6 povos humanos aliam-se numa acção conjunta para fazer frente às diferentes ameaças, num processo de reconquista que duraria mais de cem anos.
- Entre as perdas, O Líder dos qhaliothors acaba por se tornar refém de um grupo de kriorns, e é assassinado pela 2ª vez na História pouco antes da guerra terminar, enfraquecendo o poder dos qhaliothors na hora de dividir os despojos.
- A vitória é proclamada com a assinatura do Tratado de M’lur, que institui a República e marca o arranque da Quarta Era.

Num post seguinte, continuarei a evolução cronológica até à 7ª Era, onde se desenrola a acção do primeiro volume da saga Crónicas de Lusomel.